Fazendo carinho em ti pela madrugada eu percebi como eu te amo. Xiu! Esse diálogo é só entre eu e você. Nós. Faço carinho de leve no seu rosto e vou ligando os pontinhos do seu rosto, indo para a testa, descendo pelo nariz e dou beijinho em seguida, continuo o trajeto e desenho seus lábios com o dedo alisando. Olho para seu corpo e vejo que tenho muito o que descobrir ainda. Te faço cafuné e te roubo um selinho, esse seus lábios tem um gosto tão bom, e esse seus olhinhos que mesmo fechados são tão lindos. E essa pele tão macia e quentinha, juntamente com esse cabelo tão gostoso de afagar. Quando olha para mim, percebo no teu olhar uma coisa tão linda e pura neles. Logo vou descendo minhas mãos pros teus braços alisando, e penso no fato, de você conseguir me proteger sempre de tudo, com um simples abraço, e sempre me confortar neles. Suas mãos macias, mas ao mesmo tempo maliciosas passando pelo meu corpo, me causando vários arrepios, sensações únicas. Indo para tua cintura, me lembro que sente cócegas na barriga, e aliso de propósito, só para ver você sorrir para mim, pedindo pra parar, mas no fundo, sei que quer que eu continue, então, eu sempre teimoso contigo, sempre continuo, pois por mim, não cansaria nunca de ver você sorrindo para mim, por mim.
Nós, e o nosso infinito. Nevarias e Renevou.  
Não sou um escritor, apenas amo por meus sentimentos no papel sem nenhuma ambição. Gosto de escrever para uma garota, pois é ótimo ver a reação da mesma ao receber minha carta. A carta pode ser boba, com alguns erros e até meio amassada, porém há nela sentimentos verídicos que gosto de demonstrar sempre.
Desejos de Arthur.   
Me diga, como é viver com um pai em casa? Como é acordar com sua voz bebendo café, ouvir seu bom-dia atrasado ao serviço? Como é ter um pai entrando no quarto secretamente, para ver se finalmente dormi? Um pai que confere a extensão das cobertas e se as janelas estão fechadas? Um pai que coloca remédio de mosquito e esfrega a manga morna do pijama em minha testa? Como é ter um pai que me acompanha na consulta ao médico? Um pai que assina o boletim? Como é ter um pai perseguindo baratas pela tranqüilidade doméstica? Como é brincar com um pai: aprender a dobradura de papel de chapéu e barcos? Como é ter um pai para perguntar que horas ele voltou do trabalho? Como é empurrar um pai pelos barulhos estranhos no pátio? Como é ter um pai angustiado com a demora materna, e que me dá banho, me oferece janta e esconde sua preocupação? Como é ter um pai para segurar as lâmpadas enquanto ele sobe na escada? Como é ter um pai para se escorar enquanto ensaio a primeira sequência de passos? Como é andar de bicicleta com um pai? Observar atrás se ele me segue? Como é escutar o ronco terrível do pai e se sentir protegido? Como é ter um pai para reclamar docilmente da mãe, dizer que ela não me entende? Como é ter um pai que não me entende? Como é ter um pai para frequentar a casa dos avós no final de semana? Como é ter um pai para xingar e logo após reaver a gentileza do abraço? Um pai que estará no seu escritório, num lugar certo, a facilitar minha desculpa? Como é ter um pai para responder com confiança aos seus conhecidos como está meu pai? Um pai para me levar aos jogos de futebol e ocupar o trajeto de volta comentando o resultado? Como é ter um pai para receber presentes de aniversário, e me ajudar a retirar o papel bonito sem estragar? Como é ter um pai para sanar as dúvidas das aulas, as operações difíceis, as curiosidades sobre planetas, estrelas e bichos? Como é ter um pai mais rápido do que o dicionário e que conta o que significa tal palavra? Como é ter um pai com passado? Como é ter um pai chateado, endividado, alinhando contas do que não podemos mais gastar? Como é ter um pai com emprego novo, que não pára de falar das novidades no almoço? Como é ter um pai para pedir o carro emprestado? Um pai para inventar uma mentira e dormir fora de casa? Como é ter um pai aguardando na saída da escola? Como é ter um pai preocupado, confessando que perdeu o sono quando na verdade o esperava na madrugada? Como é ter um pai para me convencer que as dores passam, que amanhã estarei bom, que eu tive coragem? Como é ter um pai a me orientar - de um modo patético - sobre transar com segurança? Como é ter um pai beijando a mãe, sussurrando qualquer coisa que a faça rir, e eu me escondendo para que não me vejam? Como é ter um pai para sair ao cinema, e escorrer pipocas pelas suas mãos? Como é ter um pai para sentir saudade devagarinho, de um dia para outro ou por algumas horas? Como é ter um pai preocupado em fotografar a família nas férias? Como é ter um pai festejando uma promoção com jantar no restaurante predileto e só entender sua alegria? Como é ter um pai histérico, procurando seus óculos, seus livros e cartões extraviados? Como é ter um pai alegando que estava nervoso depois de uma grosseria e compreender que é o máximo que ele se aproximará de um perdão? Como é suportar um pai cantando desafinado suas músicas antigas? Como é ter um pai a me socorrer e convencer a mãe a gostar de minha namorada? Como é sentar no sofá com um pai e assistir um filme reprisado e comentar: “esse eu já vi”: e continuar assistindo a amizade de sentar ao lado dele? Como é ter um pai para ser parecido com ele? Como é ter um pai vibrando com minha aprovação no vestibular, pregando faixas na frente da residência? Como é ter um pai para procurá-lo nas centenas de poltronas da formatura? Como é ter um pai que explica que “as coisas eram diferentes no seu tempo”? Como é ter um pai que não descobriu que envelheceu porque empresto meus olhos da infância? Como é ser espetado no rosto pela barba do pai? Faz coceira, arranha? Sempre quis saber…
Fabrício Carpinejar. 
Meu último relacionamento durou bem pouco tempo. Conheci ela no corredor do ônibus, quando o semáforo ficou vermelho. A minha janela deu certinho para a dela. Ela vestia uma camiseta preta do Axl Rose e um chapéu de jazzista, nada de maquiagem. Eu tinha a cara enfiada num romance policial. Eu olhei, ela me viu. Eu desviei, antes da garota se dissuadir também.Voltamos a nos analisar. E sorrimos, inevitavelmente. Ela fez um biquinho doce e teatral com os lábios, sinalizando a vontade de um beijo inocente. Num raro lampejo de maturidade, botei a língua pra fora, girando a pontinha rugosa e pigmentada num movimento pseudo-sexy. Ela riu, abaixou levemente o cenho, me achando pateta. Eu me estufei de orgulho por alargar aquele riso. O semáforo abriu e a gente parou de se ver. Ainda entornei o dorso para uma última olhada por cima do ombro. Não ia dar certo mesmo. Estávamos em lugares diferentes da relação, vivendo em direções opostas, a coisa andava rápida demais entre nós, e acho que as amigas dela não gostavam de mim. Mas foi bom e inesquecível, enquanto duraram os trinta segundos.
Gabito Nunes. (via nevarias)
O meu Amado é meu
e eu sou dEle.
Cantares 2:16  
No primeiro dia pensei em me matar. No segundo, em virar padre. No terceiro, em beber até cair. No quarto, pensei em escrever uma carta para Marcela. No quinto, comecei a pensar na Europa e no sexto comecei a sonhar com as noites em Lisboa. Em seis dias Deus fez o mundo e eu refiz o meu.
Machado de Assis.
Capitu comentou que meus sonhos não eram tão bonitos quanto os dela, fui obrigado a concordar, mas retruquei, sem pensar, que eram tão bonitos quanto a pessoa que sonhava.
Dom Casmurro    
Gosto do jeito doce que você fala, gosto das nossas conversas sem sentido, gosto da cor do seu cabelo, gosto da sua cara de sono, gosto do seu beijo, gosto do seu abraço, gosto da cor dos seus olhos e de como eles ficam mais claros no sol, gosto de te fazer rir, gosto de te fazer cafuné, gosto do seu ciúme e gosto, principalmente, de poder aproveitar tudo isso de você.
Desejos de Arthur - Versos ridiculamente românticos.  
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